Mind Hunter @ 15:27

Sab, 08/11/08

    Estou cansado, é claro, 
   Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado. 
   De que estou cansado, não sei: 
   De nada me serviria sabê-lo, 
   Pois o cansaço fica na mesma. 
   A ferida dói como dói 
   E não em função da causa que a produziu. 
   Sim, estou cansado, 
   E um pouco sorridente 
   De o cansaço ser só isto — 
   Uma vontade de sono no corpo, 
   Um desejo de não pensar na alma, 
   E por cima de tudo uma transparência lúcida 
   Do entendimento retrospectivo... 
   E a luxúria única de não ter já esperanças? 
   Sou inteligente; eis tudo. 
   Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto, 
   E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá, 
   Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

 

-Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa

 

 

 

Nunca fui muito fã de poesia, mas Fernando Pessoa vale a pena.

 

E este poema diz tudo.

Estou cansada, não sei ao certo do quê, mas estou. De tudo, possivelmente. Mas a cabeça serve para alguma coisa, consigo pensar, nem que seja para concluir que pensar só nos faz mal.

 

Acredito que um dia as coisas mudem, acredito que um dia tudo fique perfeito, acredito que todos merecemos a felicidade. Não aquela pequena felicidade, alegria...digo felicidade pura, plena.

 

Há-de chegar a minha vez.


sinto-me: é tão bom estar doente -.-''
a ouvir: Guano Apes - Open your eyes


Sami Sami @ 20:06

Sab, 08/11/08

 

Sem duvida, Fernando Pessoa vale a pena ler
Adorei o poema (:

As melhoras !


Cocax @ 14:57

Dom, 09/11/08

 

Adoro Fernando Pessoa! É dos meus escritores (poeta) favoritos! Estou mortinha por começara dá-lo... Ainda estamos nos Lusíadas --''

E as melhoras... Para as duas, porque eu também estou doente xD

katharynis @ 13:48

Sex, 14/11/08

 

Eu também nunca fui grande fã dele. Eu até passo o tempo todo a dizer ao meu stôr que o homenzinho é maluco. Mas que é genial, não haja dúvida. Quase todos os dias descubro um ou dois versos que me explicam, talvez.

Espécie de diário de 3 - Kátia, Filipa, Olga - adolescentes. Linguagem por vezes ordinária, muy drama, tiradas poéticas, desabafos, parvoíces, ilusões, queixas da vida, análises cuidadosas e centralizadas sobre factos da vida (ahahah), ou outra treta qualquer que nos apeteça postar / partilhar com o resto do mundo.

RSS